Vou te contar...
... aconteceu no Tear:
IV encontro do curso Arte-mídia com professoras de Sala de Leitura
por Ana Léa Maia
Primeiro momento:
Dinâmica em círculo
Rosa desanda a roda
Que eu quero encontrar a flor
Aquela que for mais bela
Com ela me abraçarei
Instruções:
1. Fazer uma roda e encontrar um par;
2. Cantar a música acima escrita (melodia da cantiga “O cravo brigou com a rosa”) e ao mesmo tempo bater palmas com o par e olhar nos olhos do mesmo;
3. Ficar atento ao comando da dinamizadora que irá pedir para trocar de par.
Esta atividade explora a ludicidade no processo educativo e ajuda a desenvolver a habilidade em cantar, dançar e olhar o nosso par nos olhos, tudo ao mesmo tempo, por isso algumas colegas consideraram a atividade difícil, porém divertida.
Olhar nos olhos é um ato pouco praticado, por isso é sempre válido começarmos a exercitar este olhar.
Segundo momento:
Roda de Leitura
Caminhos da Magia (Roseana Murray)
Mandala
Círculo que se tece desde o nascimento
Roda mágica que vai se fazendo
Hora por hora, dia por dia
Momento por momento
Bordado de poesia e vento
Com pontos de luz e paixão
Na Mandala tudo cabe
Os amigos, os amores
Os desejos os anseios
Todos os pensamentos
O fogo, a água, o ar e a terra
Mandala: é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mandala_%28s%C3%ADmbolo, 23/09/08)
Terceiro momento:
Leitura de mãos
O que as pontas dos dedos é capaz de ler?
Que mão é essa?
A proposta, neste momento, foi que fizéssemos uma leitura de mãos. No início foi uma proposta engraçada, depois foi ficando séria...
Camila pediu que fechássemos os olhos, tocássemos as mãos da colega e sentíssemos sua textura, sua temperatura, etc. A partir deste toque poderíamos dizer algo sobre nossa colega. Pediu também que olhássemos as mãos umas das outras para ler um pouco cada uma.
Como resultado, tivemos leituras diversas, como:
“Me parece ser uma boa professora, uma boa mãe. Uma mão macia...”
“Senti na mão dela, uma mão experiente, uma mão trabalhadora, bem marcada. Tem todas as linhas que nós temos, só que bem marcada...”
Não existe linha igual.
Cada um é um.
Cada linha é uma linha.
Nós somos únicos.
O importante nesta atividade é soltar a imaginação e a sensibilidade!!!
Quarto momento:
Jogo de composição
Este jogo acontece com no máximo seis pessoas, as outras ficam observando e no bloco seguinte outras seis pessoas participam e assim sucessivamente até que a maioria das pessoas participem.
Instruções:
1. Um participante pensa numa situação, entra na roda e faz corporalmente um gesto que tenha a ver com essa situação pensada;
2. Este participante “congela” o gesto;
Espera-se que outros participantes, um a um, entrem na roda para compor a situação com outros gestos que também irão “congelar”;
3. Ao terminar a composição da cena, quem está em volta irá observar e ler a composição;
4. Após a leitura, a dinamizadora bate palma e se desfaz a composição e quem está no meio volta para a roda;
Conversando sobre as composições:
Dando início à conversa, a dinamizadora pede que as pessoas que criaram a primeira cena, a reconstrua para que as que observaram falem sobre a leitura que fizeram.
O interessante desta dinâmica é que tivemos a oportunidade de soltar a imaginação, tanto para iniciar uma composição, quanto para dar continuidade à mesma.
É uma dinâmica muito boa para descontração, pois além de nos movimentar cria um ambiente alegre e descontraído.
Alguns comentários que vale a pena conferir:
O que foi lido: “Na minha opinião, tinham duas pessoas segurando um véu. Parece que ela estava pedindo alguma graça... Havia um anjo por de trás e a outra estava dando uma força.”
O que foi inicialmente pensado: “Eu errei, eu não soube fazer, eu imaginei um baile.”
Quem está envolvido na cena tem uma visão limitada da mesma. Quem está observando e fazendo a leitura da cena, tem uma visão mais detalhada e uma visão geral, porém temos que ter cuidado para que nossa visão de "fora da cena" não seja enganada pelos nossos sentidos.
Cada um faz a sua leitura do seu olhar, da sua vivência.
Quinto momento:
Leitura com o tato
Instruções:
1. Um participante senta-se numa cadeira à frente dos demais;
2. A dinamizadora escolhe um dos objetos que estão numa sacola preta;
3. O participante que está na cadeira coloca as mãos para trás e pega o objeto escolhido pela dinamizadora, sem que ninguém o veja;
4. O participante não vê o objeto, apenas toca o objeto para descreve-lo para os demais;
5. Quem descobre o objeto senta-se na cadeira e incia-se a brincadeira novamente.
Sexto momento:
Leitura de imagem
Neste momento fomos convidadas pela dinamizadora para fazermos a leitura de uma pintura no segundo piso.
O grupo demonstrou encantamento pela escada da casa e surpresa pela dimensão da mesma.
E então o que nós vimos?
“Corpo, olhos, raia, pássaro, borboleta, infinito...”
“A impressão que dá é que estamos no fundo do mar e a claridade é o sol.”
O imaginário está relacionado a estas imagens que armazenamos
no nosso "baú", na nossa memória.
Como o educando pode aprimorar sua expressão?
Nas artes não tem feio nem bonito, mas no cotidiano escolar
o educador pode dizer: você pode mais!
Após termos feito todas estas leituras (do olhar, da poesia, das mãos, de cenas, de imagens), depois de termos experimentado no corpo estas várias experiências de leitura, comentamos sobre o ato de ler:
- Estamos lendo o tempo todo;
- É um desafio;
- Não lemos apenas com os olhos;
- Para ler é preciso ter sensibilidade e estar aberto;
- Para ler é preciso usar todos os sentidos;
- Cada um tem a sua leitura;
- A mesma leitura se renova;
- A leitura está relacionada às vivências do leitor;
imaginação - sensibilidade - criação - percepção
Sétimo momento:
Filme: Um olhar vale mais que mil palavras
A conclusão que chegamos ao assistirmos a este curta é que nós, na maioria das vezes, ao fazermos nossa leitura inicial, podemos fazer uma leitura equivocada de uma determinadaa situação.
A partir da nossa leitura nós avaliamos a situação, as pessoas, etc.
Quando descobrimos que nossa interpretação foi equivocada, ficamos surpresos, pois nossa tendência é acreditarmos que a nossa interpretação é a mais correta.
Oitavo momento:
Esta nova geração é a geração que vem ao mundo primeiro pela imagem, as mães conhecem os filhos primeiro pela imagem (ultrassonografia) e depois "ao vivo e a cores". Com isso podemos questionar se essa geração é distinta da geração anterior.
Um comentário:
Muito boa síntese Ana Léa e reflexiva! Parabéns! Beijos, Cacá
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